quinta-feira, fevereiro 12, 2009

5entidos: audição

Mas há outras palavras, outras músicas para além daquelas que saem da tua boca?

Haver, há.
Mas são banais,
redundantes,
excessivas,
desnecessárias,
superfulas...

Enfim...

Haver há,
mas
se desaparecessem ninguém notaria,
desde que permanecerem as tuas.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

5entidos: olhar

É a minha minha pura convicção, que a noite é culpa tua. Tua e do teu sorriso, que embaraçam de tal forma o sol que ele se esconde por trás do horizonte, e à socapa aproveita enquanto dormes para se mostrar novamente.

Se um dia o sol se extinguir, a luz do teu sorriso iluminará os dias... pelo menos os meus.

domingo, fevereiro 08, 2009

cinco sentidos obrigatórios

5entidos obrigatórios:

ver o teu sorriso
ouvir as tuas palavras
cheirar o teu perfume
lamber as tuas lágrimas
tactear a tua alma

a idade

com a idade devo estar (espero) a caminhar para uma especie de sabedoria iluminada. não é forçosamente alegre. aliás dificilmente a sabedoria pode trazer essa felicidade pateta, mas também não é necessariamente triste, porque se a felicidade pode ser pateta, a tristeza como estado é definitivamente inútil, estúpida e masoquista.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

vidro

Eu é quer era quebrável,
mas tu... tu é que foste transparente... e mostras-te muito mais de ti.

No fim, toda a gente se cortou nos estilhaços que ficaram.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

3-ângulo

num (tri)ângulo é impossível alguém gostar de alguém.
às vezes nem de si mesmo

segunda-feira, janeiro 12, 2009

veneno cura


















Há um momento em que todos nos cruzamos.

Na noite escura.

Quando perdes tudo o que há para
Perder, o que é que te faz continuar?

O teu pior?

O teu melhor?

O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade?

O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores?

Amas com as tripas de fora.

O que és capaz de fazer por amor?

Como é que sobrevives com o coração partido?

Quanto tempo dura um sentimento?

Tem prazo?

Já morreste de amor?
Não se pode viver sem amor.

O amor salva.

O amor mata.

O amor cura.
Há um Porto onde se morre de amor.

Há um clube onde tudo é permitido.

Imperatriz.

Vem.


veneno_cura

sexta-feira, dezembro 12, 2008

uma sociedade perfeita


"o futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras e claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo, com a garantia do espaço para a competência individual"

Mario Vargas Losa

sexta-feira, novembro 21, 2008

dimensão



Porque haveria de querer ser da dimensão do gigante?

A mim bastava-me ser da dimensão do
anjo
...

quarta-feira, novembro 19, 2008

palavras

Mais vale estares calada porque não quero ouvir as palavras que saem da tua boca.
Primeiro porque são falsas. E depois porque não me acredito nelas.
Façamos uma espécie de pacto: Dizes o que queres, e eu acredito no que quero. Do que decorre no entremeio, ou seja, nas palavras que trocamos, a coerência pouco interessa.
Por isso, o que valem as palavras que proferes?

terça-feira, novembro 11, 2008

receita para matar um homem

há crimes que se perdoam, como este, roubar este texto, pois acho que verdadeiramente crime era não partilhá-lo.

Receita para matar um homem

Tomam-se umas dezenas de quilos de carne, ossos e sangue, segundo os padrões adequados. Dispõem-se harmoniosamente em cabeça, tronco e membros, recheiam-se de vísceras e de uma rede de veias e nervos, tendo o cuidado de evitar erros de fabrico que dêem pretexto ao aparecimento de fenómenos teratológicos. A cor da pele não tem importância nenhuma.

Ao produto deste trabalho melindroso dá-se o nome de homem. Serve-se quente ou frio, conforme a latitude, a estação do ano, a idade e o temperamento. Quando se pretende lançar protótipos no mercado, infundem-se-lhes algumas qualidades que os vão distinguir do comum: coragem, inteligência, sensibilidade, carácter, amor da justiça, bondade activa, respeito pelo próximo e pelo distante. Os produtos de segunda escolha terão, em maior ou menos grau, um ou outro destes atributos positivos, a par dos opostos, em geral predominantes. Manda a modéstia não considerar viáveis os produtos integralmente positivos ou negativos. De qualquer modo, sabe-se que também nestes casos a cor da pele não tem importância nenhuma.

O homem, entretanto classificado por um rótulo pessoal que o distinguirá dos seus parceiros, saídos como ele da linha de montagem, é posto a viver num edifício a que se dá, por sua vez, o nome de Sociedade. Ocupará um dos andares desse edifício, mas raramente lhe será consentido subir a escada. Descer é permitido e por vezes facilitado. Nos andares do edifício há muitas moradas, designadas umas vezes por camadas sociais, outras vezes por profissões. A circulação faz-se por canais chamados hábito, costume e preconceito. É perigoso andar contra a corrente dos canais, embora certos homens o façam durante toda a sua vida. Esses homens, em cuja massa carnal estão fundidas as qualidades que roçam a perfeição, ou que por essas qualidades optaram deliberadamente, não se distinguem pela cor da pele. Há-os brancos e negros, amarelos e pardos. São poucos os acobreados por se tratar de uma série quase extinta.

O destino final do homem é, como se sabe desde o princípio do mundo, a morte. A morte, no seu momento preciso, é igual para todos. Não o que a precede imediatamente. Pode-se morrer com simplicidade, como quem adormece; pode-se morrer entre as tenazes de uma dessas doenças de que eufemisticamente se diz que “não perdoam”; pode-se morrer sob a tortura, num campo de concentração; pode-se morrer volatilizado no interior de um sol atómico; pode-se morrer ao volante de um Jaguar ou atropelado por ele; pode-se morrer de fome ou de indigestão; pode-se morrer também de um tiro de espingarda, ao fim da tarde, quando ainda hà luz de dia e não se acredita que a morte esteja perto. Mas a cor da pele não tem importância nenhuma.

Martin Luther King era um homem como qualquer de nós. Tinha as virtudes que sabemos, certamente alguns defeitos que não lhe diminuíam as virtudes. Tinha um trabalho a fazer – e fazia-o. Lutava contra as correntes do costume, do hábito e do preconceito, mergulhado nelas até ao pescoço. Até que veio o tiro de espingarda lembrar aos distraídos que nós somos que a cor da pele tem muita importância.

José Saramago

Quem quiser lê-la, e a outras, podem ir directamente à fonte aqui.

lotação esgotada

-Boa noite!
Desculpe mas não há lugar. Estamos cheios. Não há cá ninguém, mas quem sabe se apertarmos um bocadinho... talvez dê, ou talvez não.
Volte amanhã. Pode ser que estejamos mais vagos.

domingo, novembro 02, 2008

s.m.s.

mensagem curta:

"Save My Soul"
n07 0ur5 5ou15.
0n1y m1n3.
1'm 0n1y...
54v3 m3!

fim de mensagem

quarta-feira, outubro 29, 2008

corpo
























gosto do meu corpo quando está com o teu
corpo. É uma coisa tão integralmente nova.
Melhores músculos e mais nervos.
gosto do teu corpo. gosto do que ele faz,
gosto dos seus modos. gosto de sentir-te a coluna
e os ossos, e o tremor
-sólido-macio que beijarei
uma e outra vez,
gosto de beijar-te aqui e ali,
gosto de acariciar lentamente, a pelugem
da tua pele eléctrica, e aquilo que acontece
ao romper da carne… E os olhos grandes migalhas de amor,

e talvez goste do frémito

por baixo de mim de ti tão completamente nova



like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
Muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric furr, and what-is-it comes
over parting flesh....And eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new


e. e. cummings, «Complete Poems, 1904-1962», Sonnets-Realities, VII, de & [AND], 1925

quinta-feira, outubro 23, 2008

noites brancas

"Todas as famílias felizes são parecidas, mas uma familia infeliz é infeliz à sua maneira"
Tolstoi, in "Anna Karenina"

A felicidade é universal,... mas as tragédias são privadas.

domingo, setembro 28, 2008

fim

quando eu morrer batam em latas,
rompam aos saltos e aos pinotes,
façam estalar no ar chicotes,
chamem palhaços e acrobatas!

que o meu caixão vá sobre um burro
ajaezado à andaluza...
a um morto nada se recusa,
eu quero por força ir de burro.

“Mário de Sá-Carneiro„

domingo, setembro 14, 2008

não sou

posso não saber bem o que sou...
mas vá lá, sei o que não sou!

sexta-feira, setembro 12, 2008

obituário

“As notícias sobre a minha
morte
são manifestamente exageradas”.
Mark Twain

quarta-feira, setembro 10, 2008

efeito pigmanunoleao






















ainda hei-de me apaixonar por uma pedra *

segunda-feira, setembro 08, 2008

abrir parênteses

( )*

* retomamos a emissão dentro de momentos**

** sim. quem diz emissão quer dizer vida ***

*** a minha pois claro.

fechar parênteses...